Como eu aprendi inglês sozinho

Desde criança eu amo o inglês. Não por acaso essa era uma das disciplinas que mais gostava no ensino fundamental e médio, e sempre tirava boas notas. Mas como estudei em escola pública durante toda a minha formação base, era de se esperar que não fosse capaz de dominar o idioma apenas com esse conteúdo apenas com o conteúdo aplicado em sala de aula. E como a grana no início de carreira era curta, não pude pagar um curso de inglês.

Acabei deixando a vontade de aprender o inglês de lado por alguns anos, focando meus esforços em minha graduação. Mas quando comecei a buscar informações sobre migrar para o exterior uma coisa ficou bem clara: era preciso sair da zona de conforto e fazer algo, caso contrário passaria o resto de minha vida me lamentando por não aprender o inglês.

Talvez você consiga se enxergar em uma situação parecida com a minha, e ainda não consiga falar inglês. É por isso que eu decidi compartilhar a minha experiência pessoal de estudar o inglês por conta própria.

Comecei estudando com materiais que eram interessantes para mim

Grande parte do meu vocabulário eu aprendi com esse jogo

Os video-games estão presentes na minha vida desde que me entendo por gente. No início eles se resumiam a andar e pular, mas com o tempo foram se tornando cada vez mais complexos. Aos poucos, os textos foram inseridos no gameplay e aí as coisas começaram a ficar complicadas. Era quase impossível aproveitar jogos como Final FantasyMetal Gear Solid, Resident Evil e alguns outros sem dominar o inglês. E se hoje é fácil encontrar jogos legendados e até dublados em português, há 15, 20 anos atrás eles praticamente não existiam. Confesso que até evitava alguns desses jogos simplesmente por não conseguir entender o que eu precisava fazer.

Isso mudou quando comecei a jogar Chrono Cross, um RPG lançado para o primeiro Playstation. O jogo tinha uma sua história complexa, e isso era um de seus maiores atrativos. Logo nos primeiros 30 minutos de jogo eu percebi que sem saber inglês eu não seria capaz de aproveitar o que ele tinha de melhor. Mas eu decidi que iria jogar esse jogo de qualquer maneira.

Como todas as telas de diálogo eram em formato de texto, tive uma ideia: Usar um dicionário para consultar as palavras que não conhecia. E essa sem dúvidas foi uma das melhores decisões que tomei na minha vida.

Como o material era de meu interesse, passar horas lendo textos em inglês não era chato nem cansativo. Pelo contrário, achava tudo muito divertido, mesmo sendo muito difícil.

No início eu perdia muito tempo lendo poucas linhas de texto, mas com o passar do tempo fui entendendo cada vez mais rápido. Hoje digo sem medo de errar que as mais de 100 horas que passei jogando Chrono Cross foram essenciais pra construção do meu vocabulário.

Esse estudo intensivo foi essencial para eu compreender o inglês escrito, o meu primeiro passo para dominar o idioma.

Não estou dizendo que você só vai aprender inglês se jogar video-game com um dicionário no colo. Mas tenho certeza que se você usar um conteúdo do seu interesse o aprendizado será muito mais fácil, podendo até ser divertido!

Comecei a ouvir muuuuito conteúdo em inglês

Em 2011 eu já sabia disso

Em 2011 eu já sabia que ouvir inglês era importante

Conheço muita gente que diz ser capaz de ler em inglês, mas que não consegue entender o que as outras pessoas falam. Eu mesmo passei por isso durante muito tempo. Mesmo sendo capaz de ler livros, notícias e outros materiais totalmente em inglês, era muito difícil compreender o que as outras pessoas falavam.

Isso só mudou quando eu descobri o LingQ, um desses vários sites que prometem ensinar inglês pela internet. A diferença é que ele apresentava um novo método, onde você aprende o idioma lendo e ouvindo o pessoas normais falando inglês. Descobri que esta prática tem até um nome específico, o listening.

O mais interessante deste site é que ele possui milhares de textos, sobre diversos assuntos, com a sua transcrição em áudio. Sei que isso nem era algo inovador. Há muito tempo materiais assim já eram vendidos nas bancas revistas como a SPEAK UP que se baseavam no mesmo conceito. A diferença é que agora o conteúdo era DE GRAÇA.

Hoje em dia o mesmo LingQ tem um aplicativo que permite você ler e ouvir os áudios diretamente no seu smartphone, mas quando eu fiz isso não tinha essas facilidades. Eu baixava os arquivos mp3, ouvia no meu mp3 player e imprimia o texto. E eu investi nessa prática durante todo o meu último ano de faculdade.

Outra coisa que comecei a fazer foi ver filmes com as legendas e o áudio em inglês. No início eu não entendia nada, mas sem perceber uma chave foi aberta na minha cabeça e hoje compreendo muito bem.

Deu um trabalhão e até pensei em desistir, mas no fim todo o esforço valeu a pena.

Coloquei o inglês no meu dia a dia

Todo dia eu tomava uma pílula de inglês

Todo dia eu tomava uma pílula de inglês

Tudo o que a gente aprende pode ser esquecido facilmente se não praticarmos com frequência. É o que aconteceu com todas as fórmulas de química e física que eu aprendi no ensino médio,. Como não as usei depois do vestibular, acabei esquecendo. Tenho certeza de que isso já aconteceu com você.

Um amigo que é professor de inglês me alertou que isso também acontece com os idiomas, e me sugeriu a inserir o inglês na minha rotina. Ele me disse para alterar o idioma do celular, do computador e de tudo que eu usasse no meu dia a dia. Foi o melhor conselho que recebi.

Seguindo o seu conselho, todos os dias eu lia algo, ouvia algo e até escrevia algo em inglês, o que foi me fazendo ficar confortável com ele. Ao fazer isso, eu estabeleci uma rotina de estudo diário, mesmo que não parecesse que eu estava estudando.

Esse impacto do inglês no meu dia a dia aumentou ainda mais quando eu comecei a ouvir Podcasts em inglês e assistir canais americanos no YouTube, sobre temas que me interessavam, como cinema, video-games e etc. Comecei a acompanhar sites de humor, como o 9Gag e College HumorE como eu sou fissurado em games, isso foi ainda mais fácil, pois vários dos meus jogos preferidos são totamente em inglês.

Pode até parecer besteira, mas seguindo esta dica você irá desenvolver seu entendimento do idioma com muio mais facilidade do que estudando pelos métodos convencionais, onde muitos alunos só entra em contato com o idioma na sala de aula.

Usei todas as oportunidades para falar

Usei todas as oportunidades para falar

Se tinha uma oportunidade eu ‘tava’ falando

Conheço muita gente que só arrisca falar inglês na sala de aula. E eu entendo isso. O medo de errar ou parecer estranho deixa a gente inseguro, o que atrava travando a gente. Mas como eu aprendi inglês por conta própria, não poderia me dar ao luxo de não praticar o inglês.

Justamente por isso eu aproveitava todas as oportunidades para praticar o idioma. Lembro quando dois americanos foram morar no prédio da minha namorada (hoje minha esposa) eu era o único que interagia com eles. Tentava falar o máximo possível, mesmo com um sotaque forte e não pronunciando corretamente as palavras. O mais importante acontecia: eles me entendiam.

Quando me reunia com alguns amigos que também estudavam inglês, sempre pedi para praticarmos a conversação. Muita gente achava que éramos babacas prepotentes por falar em inglês numa lanchonete ou em uma festa de aniversário. Mas enquanto eles me criticavam eu estava progredindo.

Já participei de muitas feiras de intercâmbio para praticar o idioma. Já tive a oportunidade de falar com representantes de universidades de todo o mundo e, mesmo comentendo erros graves, eles me entendiam e eu os entendia. Um deles até me perguntou onde eu tinha feito intercâmbio, e se surpreendeu quando disse que aprendi tudo o que sei sozinho. Lembro que uma dessas universidades chegou a ligar em minha casa, e apesar de a conversa por telefone ser mais difícil por causa do sotaque do atendente (acredito que era indiano), interagi sem nenhum problema.

Eu sei que inglês corretamente é a minha maior limitação com o idioma, mas eu deixo de lado a vergonha e falo sempre que tenho oportunidade. Isso me permitiu me comunicar bem com americanos, ingleses e várias outras pessoas que tem o inglês como língua nativa, sem dificuldades.

Por isso não tenha vergonha e fale inglês sempre que tiver uma oportunidade. Tenho certeza que você vai cometer muitos erros, mas são estes erros que vão ajudar você a melhorar sua habilidade com o idioma.

Não criei expectativas que não poderiam ser alcançadas

Então senta meu amigo, porque vai demorar...

Então senta meu amigo, porque vai demorar…

Desde o início dos meus estudos eu sabia que aprender inglês sozinho não seria rápido. Eu tinha plena convicção de que todo o processo ia demorar, o que realmente aconteceu. Na verdade todo o processo ainda não acabou, pois todo dia aprendo algo novo.

Não criar expectativas impossíveis de serem alcançadas me ajudou a não desistir antes da hora. Apesar de querer aprender rápido eu sabia que muitas vezes eu ia travar e simplesmente não progredir.

Eu também sabia que não iria falar como um nativo americano estudando inglês sozinho. Isso me ajudou a ignorar meu sotaque pesado e tentar falar o máximo possível. Me ajudou a criar coragem e interagir com americanos mesmo sem dominar o idioma.

Assim como tudo na vida, eu sabia que não existem fórmulas mágicas. A conta era simples: quanto mais tempo eu dedicasse para estudar o idioma, mais eu iria aprender. Então se você quer aprender inglês sozinho é melhor não se iludir e não esperar a fluência em pouco tempo ou sem nenhum esforço.

Reconheço minhas limitações

Nada é pior que o auto-engano

Nada é pior que o auto-engano

Apesar de ter aprendido inglês sozinho, eu conheço minhas limitações. Sei que minha pronúncia do inglês é o ponto mais fraco e que eu posso melhorá-lo. Às vezes me sinto inseguro ao escrever um texto e até consulto o Google Tradutor.

É por isso que procurei ajuda quando percebi que não iria avançar sem contar com a ajuda de um profissional. Sendo assim, investi durante três meses em um curso da English Town, pois sabia que precisava praticar a conversação. Durante três meses conversei em inglês com estudantes do Japão, Europa, China e de alguns países da América do Sul. Também tive aulas com uma professora particular, para aprimorar algumas de minhas falhas.

Pense comigo: Se mesmo falando português desde crianças cometemos erros e precisamos de ajuda de professores para corrigir nossas falhas, por que isso seria diferente no inglês?

Não entenda errado. Eu já falava inglês quando procurei ajuda profissional. Mas eu percebi que em alguns aspectos eu poderia melhorar mais rápido se contasse com a ajuda de um professor.

Então saiba que, para melhorar o seu conhecimento do idioma, em algum momento você pode precisar da ajuda de um professor. E não há nada de errado com isso 🙂

Espero que a minha experiência possa ajudar você a também falar inglês sozinho. Eu pretendo colocar esse método à prova ainda este ano, pois pretendo aprender Francês e Italiano da mesma maneira. Me desejem sorte 😀

E você, conhece outra boa prática para quem quer aprender inglês sozinho? Compartilhe com a gente nos comentários.